A Sua Marca Tem Voz de Quê?

Dizer que sua marca vende um lifestyle não é nada. Qual é o seu estilo de vida?

Recentemente, li um artigo no site Business of Fashion informando o lançamento de uma revista focada em lifestyle. É uma palavra que ficou tão comum no cotidiano dos pensadores de branding, que precisa provavelmente ser redefinida. Afinal, lifestyle de quê? Você pode ter um estilo de vida saudável, pet lover, hippie ou até ultra-conectado. Lifestyle, só, não é nada.
Engraçado como ao falarmos em marketing logo pensamos no “estilo de vida” das marcas. Quando foi que as marcas ganharam vida? São tratadas, amadas e odiadas como pessoas (quem nunca odiou a sua operadora de celular?)
As marcas tornaram-se seres vivos embaixo de nossos olhos e tem muito a dizer. Muitas vezes, até tomam partido: quem não lembra de Nike, Starbucks e Kickstarter se manifestando contra o presidente Donald Trump? É aí que eu te provoco: quem se manifestou? Como pode a marca declarar alguma coisa? Quem toma as decisões é board de executivos que julga ser pertinente (ou não) ao posicionamento da empresa. E se a equipe fosse formada por pessoas com uma visão política diferente, a escolha seria a mesma?
Uma marca capaz de engajar-se em um lifestyle consistente é aquela que entende bem quais os valores de seu consumidor. A Starbucks, por exemplo, comprometeu-se a contratar 10.000 refugiados em resposta ao decreto que proibía a sua entrada em território americano. Isto porque, em certo momento, foi detectado que a cultura anti-racismo fazia parte dos valores da marca. O cliente Starbucks é cool, antenado e quer causar um impacto positivo no mundo. É por isso que a marca dá desconto a quem usa copos reutilizáveis e é por isso que ela não pode sileciar-se diante de uma crise política.
Para as marcas de moda, a tarefa é inclusive mais fácil. Uma marca de active wear, por exemplo, vai na direção de tudo o que é relacionado a saúde e atividade física. Uma marca com estampas tropicais relaciona-se a tudo o que é colorido, orgânico e brasileiro. Já uma marca minimalista ou cult, pode explorar o universo das artes e fotografia. Mais uma vez: dizer que sua marca vende um lifestyle não é dizer nada. Qual é o seu estilo de vida?
Uma vez determinada, a voz da marca deve estar presente em todos os seus pontos de contato. Não adianta ser uma marca que abraça um estilo de vida descolado-do-tipo-millenial se o seu staff tem uma postura homofóbica, por exemplo. Se você quer conversar com a geração onde a orientação sexual deixou há tempos de ser tabu, o respeito deve fazer parte (verdadeiramente) da sua empresa.
Vivemos um tempo no qual as marcas são tratadas como pessoas e devem responder à altura. Compre brigas, se você for uma marca que causa polêmica. Plante àrvores, se você for uma marca que valoriza a natureza. E aqui estou eu, me dirigindo a você, como se uma marca pudesse (de verdade) ler esse texto. Nessa era de antropofagia de mercado, fica até difícil separar.

 

*Imagem retirada do site Oblyque Design.

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