Unboxing: Criando Experiências Sustentáveis

Para lojas online, o pacote enviado com o pedido é o maior ponto de conexão com o consumidor e é também considerada uma das ferramentas de marketing mais sub utilizadas. Conforme o comércio eletrônico cresce e os hábitos dos consumidores mudam, entregar uma experiência de marca completa estende-se além do produto em si e transcende a todos os momentos de interação com o cliente. O conceito de unboxing, ou “desembrulhar”, hoje faz parte da experiência de branding proposta pelas marcas, que entendem que o que separa a venda online da presencial é, justamente, a experiência de compra.

Na batalha entre e-commerce e lojas físicas, varejistas online tem menos pontos de contato para impressionar os clientes, por isso é tão importante utilizar cada momento para criar uma experiência congruente com o propósito da marca, que irá diferenciá-lo de seus competidores. Mas como a embalagem pode transmitir uma experiência? Como criar um momento inesquecível e compartilhável? Uma pesquisa recente do Dotcom Distribution mapeou que 52% dos clientes são mais propensos a repetir compras de varejistas online que entregam embalagens premium; e 40% são propensos a compartilhar imagens em suas redes sociais se o pedido vier em uma embalagem única. A recomendação online genuína é o que promove conhecimento de marca para a rede de contatos de um consumidor.

Para o clube de assinatura mensal de cosméticos GLOSSYBOX, a embalagem deve parecer um presente

Neste esforço em promover uma experiência de unboxing memorável, marcas gastam um budget significativo em embalagens: papel, adesivos, encartes fotográficos, fitas de cetim – não são poupados esforços para impressionar. Tãopouco são poupados recursos naturais.
Arthur Huang, CEO do laboratório de design Miniwiz, trabalha com a Nike há anos auxiliando no desenvolvimento de processos e produtos mais sustentáveis. Em entrevista a revista americana Esquire, ele surpreendeu ao declarar não gostar realmente de design: “quando você estuda design, você pensa estar tentando mudar o mundo para melhor (…) infelizmente, você vê como as coisas são fabricadas e fica um pouco doente. Há muito desperdício envolvido.” Para Huang, designers devem solucionar problemas ao invés de cria-los e, em 2017, o maior problema que a indústria da moda (e todas as outras) tem enfrentado é a escasses de recursos naturais. Huan não gosta da palavra “sustentável”, prefere “anti-descartável”.

Em Moda com Propósito, André Carvalhal defende que a indústria da moda passa por um processo de reinvenção, onde a nova vantagem competitiva entre as marcas será a capacidade de acompanhar as necessidades de um novo mundo: onde há escassez de água, preocupação com a geração de resíduos e uma constante busca por consumo consciente.
Alguns dos materiais mais descartáveis com os quais temos contato quando compramos um produto estão presentes na embalagem de papelão que, surpreendentemente, não são recicláveis (devido a pintura em seu exterior). Arthur Huang viu aí uma forma de mudar a indústria:

Em muitos produtos da Nike, a mensagem da sustentabilidade é apagada, pois acredita-se que o consumidor não o comprará (…) fico triste a respeito disso, então propus que façamos uma reflexão a respeito da sustentabilidade no espaço. Agora o estamos fazendo com embalagens, talvez no futuro tenhamos uma linha inteira de produtos.” O resultado é a Air Bag, uma caixa plástica para o modelo de tênis Air Max que pode ser usada como mochila com a adição de uma corda. Além disso, as caixas podem ser empilhadas, dispensando o uso de pallets no transporte – também ficam de forma mais organizada nas lojas e podem até ser reutilizadas em próximos lançamentos. Uma solução inteligente que abrange as áreas de embalagem, transporte e armazenamento, mas que é, acima de tudo, branding.

As Air Bags são feitas 100% de polypropyleno reciclado, o plástico mais limpo e reciclável da indústria, além de ter a menor pegada de carbono. Além de usar menos água em sua produção, cada Air Bag é o resultado da recicalgem de 180 copos de café descartáveis. O projeto preocupou-se com os detalhes, pois em uma era onde as informações estão a apenas um clique, ter embalagens apenas recicláveis cai na classificação de greenwashing e gera revolta pelos consumidores, surtindo impacto negativo. É preciso ser sustentável de forma verdadeira.
Existem opções para qualquer tipo de indústria. O desafio não é o acesso a materiais sustentáveis, ou como adaptar o processo de fabricação. O problema é que as marcas tem medo de realizar estas mudanças e perder o desejo por seus produtos. A forma de evitar isto, segundo Huang, é através da customização: “Hoje em dia ninguém deve te dizer como se vestir. Materiais reciclados podem oferecer criatividade no produto que você compra, e o produto ganha valor por causa da criatividade. Este é o futuro.”
Por parte das marcas, o único passo que falta é dar ao consumidor um voto de confiança. Ofereça soluções sustentáveis e acredite: se o seu cliente não as valoriza hoje, é uma questão de tempo para que o faça.

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