Millennials e o Equilíbrio entre Ativismo e Amor pela Moda

A indústria da moda está longe de ser perfeita quando pensamos em produção ética e responsabilidade social. Para a geração mais envolvida em causas como direitos LGBTQ, feminismo e direitos dos animais, pode ser difícil encontrar uma forma de envolver-se na indústria sem abrir mão de seus ideais. Rowan Blanchard, atriz millennial de 15 anos, afirmou em entrevista ao Fashionista que é possível amar moda sem deixar de lado as causas pelas quais idealiza.
Rowan explica que equilibrar moda e sustentabilidade “é uma pergunta que está tentando responder a si mesma”, durante jantar em Los Angeles para celebrar a nova coleção “Conscious Exclusive” da H&M – confeccionada a partir de matéria-prima sustentável. A atriz já participou de editoriais e campanhas publicitárias, além de ser reconhecida por ter estilo ímpar. Mas como equilibra este glamour com o ativismo? Suas respostas são uma reflexão para quem consome sem perguntar como suas roupas foram produzidas.

Por que você quis vir apoiar esta coleção e evento?
Foi importante para mim vir hoje porque sinto que a moda ética definitivamente existe, mas é muito cara e inacessível. A H&M incorporá-la e torná-la acessível é um grande passo.
Você é conhecida por ser um ativista, enquanto também foi abraçada pela indústria da moda, que tem seus problemas éticos.

Como equilibrar as duas coisas? Ou você ainda sente a necessidade de faze-lo?
Há muito tempo me sinto alienada por editoriais e moda. Tenho tentado, quando estou em um destes momentos, mostrar as pessoas que existe mais ali. Há sempre um fotógrafo e toda uma equipe de iluminação, um maquiador, um cabeleireiro e estamos tentando coisas que são consideradas “moda”, porém que não são o que eu faço todos os dias. Então eu acho que eu tento mostrar que há uma linha clara, que aquilo é uma atuação, não é vida real. Mas é difícil, é definitivamente algo que eu ainda estou tentando equilibrar e responder.
Você sempre foi fashion? É algo que pode querer seguir como carreira?
A moda é algo que eu sempre amei desde quando me lembro. Não sei se trabalharia com isso sozinha, porque eu amo o que todo mundo faz, mas acho que existem oportunidades tão únicas para a moda criar peças que poderiam ser consideradas obra de arte, mas isto nunca acontece, porque moda ainda é parte do universo feminino. Mas a moda também pode ser política ou social, como neste evento.
Quando você compra alguma coisa, tenta pensar sobre a história ou os métodos de produção?
Eu tento o meu melhor, mas é difícil. Você tem que ter cuidado e algumas coisas que eu realmente gosto sei que não são éticas. Apoio sempre as designers mulheres, por exemplo. Mas há nós a serem desfeitos.

Os conflitos de Rowan são comuns para a geração millennial, a maior influenciadora para marcas tornarem-se éticas e sustentáveis. Para engajar com estes compradores, as marcas devem ser transparentes e autênticas em seus processos.
O movimento Fashion Conscious, ou Moda Consciente, enfrenta desafios maiores do que a indústria alimentícia, por exemplo. Existe pouca informação a respeito da cadeia de produção de indústrias têxteis. Ao contrário, por exemplo, de alimentos orgânicos, na moda não existe uma conexão explícita entre produtor e consumidor, ao mesmo tempo em que pessoas não relacionam seu consumo de moda com a saúde de seu corpo. A maior parte delas ainda está em uma fase de pré-consciência em relação a moda ética e sustentável, sem ter a noção de que suas roupas são muitas vezes produzidas com químicos que fazem mal a saúde e ao planeta. Ao comprar uma camiseta, o consumidor raramente pensa nas pessoas por trás de suas roupas, como o fazendeiro produtor de algodão, o processador das fibras, o tingidor ou os costureiros.
Os millennials representam a geração mais engajada com Moda Sustentável. Se as marcas de fast fashion conseguirem colaborar com iniciativas éticas de forma honesta, será possível enviar esta mensagem a geração jovem de forma colaborativa e ganhar sua atenção.

Rowan Blanchard para Flaunt Magazine