Colette: um Case de Sucesso que Completa 20 Anos

 

A loja conceito que fundou o conceito de “lojas conceito” completa 2 décadas nesta semana e sua fundadora, Sarah Andelman, foi entrevistada por Sophie Bew para a revista AnOther Magazine.

Muitas mudanças aconteceram no cenário de consumo de moda nos últimos 20 anos, mas para a Colette, boutique vanguarda localizada na rua Saint-Honoré em Paris, o espírito de renovação e inovação sempre foi parte de seus valores. Sarah Andelman inaugurou a loja com sua mãe em Março de 1997, e sua expertise em curadoria de estilo é refletido de forma confiante no DNA da Colette.

Sarah inaugurou a boutique no espaço sob o apartamento de sua família, com o desafio de preenche-lo com seus objetos favoritos. Ela explica que sabia exatamente o portfolio de produtos que gostaria de oferecer: “Não entendia por que não tinhamos a marca de cosméticos Kiehl’s na França, por exemplo. Sabíamos que queríamos tênis Reeboks com pêlos, por mais difíceis que fosse encontra-los. E revistas difíceis de comprar em Paris: Dazed, AnOther, i-D – há 20 anos era impossível conseguir um exemplar. Sabíamos que queríamos unir as diferentes coisas que gostávamos. Queríamos um equilíbrio entre marcas bem estabelecidas – como a Comme Des Garçons e Prada; e designers novos, como Jeremy Scott.

Interior da Colette, na rua Saint-Honoré em Paris

As vitrines da loja mudam toda semana e o que é exposto tem a curadoria e olhar Colette. Durante a Fashion Week, a vitrine mostrava a primeira coleção de Grazia Chiuri para a Dior – as peças com pegada esportiva misturavam-se com vestidos de tulle dignos de Saint-Honoré.

Nesta semana, quando a marca completa seu vigésimo aniversário, a vitrine não terá roupas. Ao invés disto, a fachada da loja mostrará um video ao vivo do Museu de Artes Decorativas, onde acontece a mais recente colaboração da Colette. The Beach – cortesia do coletivo Snarkitecture, de NY, estará em Paris. Uma experimentação de cadeiras de praia, espelhos e um mar formado por 300.000 bolhas plásticas recicladas, uma interação surreal a là Colette. “Eu não gostaria de ter uma festa tradicional ou um jantar, encontramos uma forma de nossa celebração estar aberta ao publico. É um pouco incomum mas acredito que reflete o que gostamos na Colette: surpreender e alegrar.”

 

“Nós comparamos a Colette a uma revista porque penso que as vitrines são como a capa; dentro você pode encontrar a página sobre gastronomia, sobre moda…” – Sarah Andelman

Mas como continuar evoluindo em um mercado que muda tão rápido? Por certo tempo, a formula secreta da marca envolveu misturar etiquetas ao vestir seus manequins. “Vivemos uma época interessante. Há 15 anos, quando fiz o tour entre Londres, NY e Milão, havia chance de conseguirmos combinar todas as marcas na mesma composição. Agora as coleções são tão fortes, de Gucci a Calvin Klein até Balenciaga… é mais difícil. Estão cada uma em direção singular.”

Apesar de vivermos tempos de mudança, quando questionada a abrir um segundo endereço, Andelman insiste que alguns aspectos da Colette permanecerão sempre os mesmos: “Há tanto amor e atenção envolvidos nos detalhes (…) Não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo, então preferimos focar aqui para ter certeza de que há uma evolução constante.”

Este cuidado com sua marca é o que diferencia Andelman de tantas fundadoras menos bem-sucedidas. A Colette é verdadeira porque é sua curadoria, é tudo o que gostaria de reunir em um único espaço. Ao passar por suas portas, não entramos apenas em uma loja, somos imergidos em um espírito de vida. É a sensação de por alguns minutos fazer parte do mundo de Sarah Andelman que confere a Colette a capacidade de deixar em nós uma memória e uma vontade de voltar.

Que venham mais 20 anos!

Sarah Andelman